sábado, 29 de junho de 2013

Mensagem do além.

Cheguei em casa e fui procurar um livro que raptei dos livros de filosofia do meu irmão para ler depois, este depois não chegava nunca e chegou hoje. 

Um desejo enorme de ler tomou conta de mim, procurei o livro no meio de um batalhão de livros de autoajuda- oh casa para ter livro de autoajuda- e nada, não encontrei o livro, mas achei uma caixa com todos os bilhetinhos, cartas, cartões que recebi durante a vida. Guardanapos com juras eternas de amor, amigos que já não sei onde estão, e o que mais me chamou atenção foram os escritos do meu pai. A começar pela letra do meu pai era linda e ele nunca terminava nenhum texto sem um "eu te amo", também tenho esta mania. A cada linha, em cada aniversário ele manifestava o quão prazeroso era ser meu pai. Sempre se superava nos cartões, nas dedicatórias e na sua demonstração contínua de amor. Ele partiu, mas não sem antes ter deixado um bilhete no meu para-brisas com escrito em letras garrafais "Eu te amo, filha". 

Relendo tudo isso, vaguei em cada rua do meu passado de mãos dadas com ele. Tantos momentos, tantas risadas, tantos mimos, tanto carinho, foi tão bom. Claro que isso para mim não foi nenhum sofrimento, foi um reconforto. Quantas pessoas gostariam de ter a vida que eu tive, o pai que eu tive, os amigos que eu tive e não tiveram? Quantas pessoas não tem um porto seguro para sentir reconforto, uma história bonita para se lembrar e o pior, uma história para contar. 

E eu que tenho minha alma toda remendada de dar e receber amor me distribuindo aos bocadinhos e conforme as necessidades. Aqui não tem dinheiro, mas tem ombro, colo, orelha e claro, meu abraço de urso. 

São tantos amigos, conhecidos ou não, tantas histórias, tantos universos a serem desvendados que ando até fazendo processo seletivo. Lembrando que o ingresso é universal e todos tem o direito a vaga de amigo. rs

Meu pai me relembrou que todos estes anos não seriam nada sem a presença de todos que passaram na minha vida. Minha ida ao passado foi para que eu jamais esquecer de dizer, sempre que eu puder, o quanto vocês são importantes para mim, cada um a seu modo, mas não menos importantes.

Não sou a amiga mais presente, nem a que está sempre ao seu encalço, mas estou estou sempre em contato com Deus intercedendo por você, do meu jeito, sem jeito talvez, mas com a cara de pau que vocês conhecem olhando nos olhos e falando sem parar, até Deus se cansar e trazer algum apaziguamento na vida de vocês. 

E hoje olho nos olhos dele, com os olhinhos marejados de amor e carinho e agradeço mais um dia de vida. Não quero viver muito não, Deusão, só o suficiente. O suficiente para oferecer o melhor de mim para as pessoas, pois o melhor delas eu recebo TODOS OS DIAS DA MINHA VIDA. 

Muito obrigada.



Michelle Fransan

quinta-feira, 28 de março de 2013

Inocência Ceifada.

É um assunto bastante delicado, porém é necessário saber o que rola por trás disso. 

O primeiro país a legalizar o aborto foi a URSS, os soviéticos costumavam fazer atrocidades 
com as mulheres de seus oponentes e com seus filhos. (engenharia social) Em seguida, a Alemanha Nazista, nem preciso dizer o que aconteceu. (engenharia racial) Depois, os Eua... Nos EUA há uma máquina de ganhar dinheiro que se chama: Clínicas de aborto, estas ficam localizadas principalmente em bairros pobres e abortam até 9- SIM- eu disse 9 meses de gestação, a Kun Klux Kan não poderia imaginar algo mais eficiente para extermínio de negros. Dez milhões de crianças negras deixaram de nascer e até hoje os abortos são feitos, em sua maioria, em mulheres negras. 

O lobby da liberdade da mulher, tem sido usado desde da década de 70 quando as feministas radicais escreveram livros enfatizando a superioridade das mulheres, e que as "verdadeira feministas" não careciam de homens, então tirar o que eles supostamente teriam colocado nelas era um direito. Porém, as feministas antes dessas eram contra o aborto pois acreditavam que era uma agressão imensa a saúde da mulher, assim como era agressão a mulher  mostrar os seios, minissaia e tudo que as neo(sic)feministas apoiam.

Há vários grupos e ONG´s financiando o lobby aborto usando o direito da mulheres como principal marketing. O que é uma grande bobagem, pois a mulher tem consequências sérias quando abortam, primeiramente físicas e depois emocionais, como por exemplo, a síndrome pós aborto. O aborto é sim um método de eugenia, higiene social, e principalmente, um "mercado negro" bem lucrativo. Mulheres lutando pelo direito de abortar meninas, negras e pobres.

Diireito a escolha as mulheres têm, escolha de um melhor método contraceptivo, escolha dos melhores parceiros, do momento certo e de manter as pernas fechadas. O que falta é educação, aliás, havia mais informação na década de 80 do que existe hoje...

...E se o aborto é o problema, o aborto não pode ser a solução.

Pensem nisso.



Michelle Fransan.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Saia Ilusão

Todo relacionamento dá certo. Dá certo porque é a pessoa que a vida nos trouxe para que vivêssemos experiências únicas. Seja pela vida toda, seja por uma semana, um ano, um dia, não interessa, ele dá certo. 

É através dos relacionamentos que conhecemos a nós próprios, a ter auto-controle e principalmente confrontar-nos. Quando estamos com outra pessoa, estamos tendo que encarar os nossos limites, nos posicionar. A presença do outro é importante, pois é um desafio constante para aprendermos a lidar com a emoção, com sexo, com angustia, aprendamos a nos dominar. O relacionamento vai ser o que vai ser, e vamos passar por ele do jeito que devemos passar. Vai nos mostrar somente o que devemos aprender, nos desenvolver.

Temos que ter a consciência que durante o relacionamento temos que aprender a lidar CONOSCO e não com a pessoa.

Todos os relacionamentos mais trágicos, são os que mais nos fazem crescer, pois são treinamentos naturais da vida, nos mostrando que estamos dispostos a uma renovação constante.

Tendo a consciência disso, sei que o erro estava em mim e não neles. Cada namorado que eu tive, me ensinou um monte de coisas, principalmente, sobre mim, sobre o que eu quero, sobre o que eu não quero, como é a sinceridade, como é a mentira, como menti para mim mesma, como fui orgulhosa, como fui injusta, como fui legal, como fui chata, como amei, quando deixei de amar, etc, etc, etc... Com isso, percebo que não falta ninguém na minha vida, se falta, sou eu mesma que estou me faltando. A vida sempre está me trazendo para mim mesma, e isso é um grande conflito.

Quanto mais verdades eu posso trocar comigo mesma, maior o elo que eu tenho com a pessoa que me relaciono. Crio um espaço íntimo, me solto com leveza para que o outro me escute sem me julgar. E essa leveza me leva ao verdadeiro aconchego. 


Sou humana, imprevisivelmente, humana, com incongruências, com beleza, com monstruosidade, com loucura e sanidade convivendo num único ser. Estou, como todos nós, no meio do caminho, no meio de um processo de mutação constante que é a vida. As pessoas são um universo e se eu quero estar com alguém eu não tenho que molda-lo, nem ele precisa ser perfeito, muito menos ser como eu quero que ele seja, eu tenho que aceita-lo como ele é, e prá ser verdadeira com ele, é inevitável que seja verdadeira comigo.


Michelle Fransan


nota: os textos são da inteira responsabilidade do cronista. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, cedência, difusão, distribuição, armazenagem ou modificação, total ou parcial, por qualquer forma ou meio electrónico, mecânico ou fotográfico deste texto sem o consentimento prévio e expresso do autor. Exceptuam-se a esta interdição os usos livres autorizados pela legislação aplicável, nomeadamente, o direito de citação, desde que claramente identificada a autoria e a origem.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Coletivização da Insanidade


Há sempre um culpado que não o verdadeiro. O pecado assim é menos cruel, pecado esse que não é Deus nem o intolerante que imputam, mas a própria pessoa que custa a aceitar a opção que escolheu se auto justificando por esta escolha, e na necessidade de se sentir aceito, a impõem.

Bom, não gosto desse título, acho ignorante e simplista, mas já que me intitulam: "Polêmica" por "polêmica" vou polemizar mais um cadinho. 

Teve uma religião que cresceu muito no Brasil- O ateísmo. 

Sim, o ateísmo virou seita. Temos grupos de apoio, comunidades de debate, grupos de ataque, frente anti-cristã, movimento de combate religioso, enfim, não basta ser ateísta tem que espalhar sua seita aos quatro cantos, tem que mostrar aos quatros cantos que não acredita em Deus, e reduzir a ignorantes aqueles que acreditam. 

Estou lendo um livro que iniciei e não compreendi, mas estes dias resolvi rele-lo e estou achando interessantíssimo: O Sofrimento do jovem Werther de Goethe. Estou justamente na página onde o personagem principal mostra tendências suicidas e tem um diálogo interessantíssimo como o noivo de sua amada; Alberto rebate Werther: "Exageras tudo e, por certo, cometes pelo menos o erro de aceitar o suicídio, que é do que estamos falando agora, como se fosse uma grande ação, quando não é nada mais do que simplesmente fraqueza. Pois, para ser sincero, é mais fácil morrer do que suportar com firmeza uma vida de tormentos." 

Somos responsáveis não apenas pelo que cativamos, mas e principalmente, sobre as nossas escolhas. O ateu militante, quer se sentir livre de Deus, mas como um pecado que o assola, não se livra da sua existência. Passa 24 horas por dia tentando ser aceito, criticando quem não o aceita, subjugando todos que acreditam em Deus, estudando a bíblia para achar deixas e critica-la, e se achando um ser superior por conta disso. Critica o fanatismo e a intolerância, como se os mesmos se esquivassem do mesmo fanatismo e intolerância que criticam. Ledo engano! 

A maioria dos suicidas deixam algo escrito, não para justificar o suicídio, mas para chamar a atenção para o seu "problema". 

Na verdade, quem tenta justificar e criminalizar alguém pelo suicídio são os muy tolerantes que culpabilizam o que supostamente levou o suicídio e não o suicida. Claro, afinal de contas, num país onde a maioria das pessoas tem mentalidade coletivista, nem a insanidade pertence a elas mesmas . 

Da mesma forma que a culpa é da arma, da faca e até do Mc Donald´s pelos danos causados pelo uso individual e opcional dos mesmos. 

Há sempre um culpado que não o verdadeiro. O pecado assim é menos cruel, pecado esse que não é Deus nem o intolerante que imputam, mas a própria pessoa que custa a aceitar a opção que escolheu se auto justificando por esta escolha e na necessidade de se sentir aceito, a impõem. 

Será que a intolerância é do cristão que não aceita um ateu, ou de quem impõe: Ou me aceitam, ou eu me mato? 

Os jovens de hoje, estão cada dia mais pueris. Culpa dos pais, óbvio. Não educam, não passam valores, não criam limites, criam SIM monstros que não conseguem, sequer, se posicionar firme frente a opção que fez para si. Com isso, penalizam a família, os amigos, todos que os amavam e, é claro, a sociedade pela não aceitação de sua escolha. 

Clodovil, disse uma coisa linda: Uma tia me disse, quando criança, que eu era adotado. Meus pais morreram sem saber que eu sabia, assim como omiti a minha homossexualidade sem me omitir ou anular diante a sociedade. Isso se chama amor, isso se chama respeito. 

Jamais falaria para minha bisavó- frequentadora da Assembleia de Deus- que não exergo Deus como ela, o amor tem dessas coisas, para não ferir, omitimos. Minha bisa, jamais iria dormir direito acreditando que eu iria pro inferno, porque faria isso com ela? Para chocar? Para impor respeito? Para que ela se tornasse deísta? Faça-me o favor! 

Eu não me comovo com o suicídio dessa moça que matou-se por sua mãe não aceitar seu ateísmo, eu não me choco também, apenas sinto uma imensa pena, pois pessoas assim, não são dignas de nada a não ser pena, tentando tornar coletiva uma opção que deveria ser de cunho privado. 

Crianças, nunca se esqueçam: os adjetivos são conquistados e não impostos.



Michelle Fransan. 



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domingo, 25 de novembro de 2012

Drama e tragédia

São raros os trágicos, a grande maioria das pessoas são dramáticas! Vivem um drama atrás do outro, não conseguem se desvencilhar do drama pois o drama é o meio termo que os mantém seguros no passado, ausentes do presente, distantes do futuro. 

A tragédia é o impulso que te remete ao passado, te chacolha no presente e te lança para o futuro. Os dramáticos consomem o drama, os trágicos vivem a tragédia sem consumir dela. Não existe esquecimento no dicionário dramático, o que ficou prá trás é porto seguro. Já os trágicos vivem para esquecer, olhar prá frente é a única alternativa. 

Por isso, é muito difícil sustentarmos a leveza, é muito mais fácil nos martirizarmos com a dor como punição e atração da atenção alheia, que com a tragédia como reflexão dos passos em falso. 

A vitimização é o gozo dos fracos, que se compadecem de si mesmos e não conseguem lançar um olhar além do seu umbigo. O drama, é a fortaleza dos mal resolvidos, dos que fazem revolução entre as paredes do seu quarto. 

É muito difícil viver a tragédia quando o drama é bem mais confortável. O prazer de ser vítima sempre desperta Narcisos sustentados pelo ego.

Michelle Fransan


nota: os textos são da inteira responsabilidade do cronista. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, cedência, difusão, distribuição, armazenagem ou modificação, total ou parcial, por qualquer forma ou meio electrónico, mecânico ou fotográfico deste texto sem o consentimento prévio e expresso do autor. Exceptuam-se a esta interdição os usos livres autorizados pela legislação aplicável, nomeadamente, o direito de citação, desde que claramente identificada a autoria e a origem.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pelo direito a boa futilidade!

Numa conversa que eu tive este final de semana, falei sobre a sociedade infantilizada que vivemos com um amigo que estava sofrendo por conta da falta de visão das pessoas. Isso não seria tão ruim caso não tivesse decidido ser fútil para me enquadrar mais nesta sociedade. Oras, olha o que eu sugeri a mim mesma para me moldar a pessoas que eu abomino, mentalidades que eu ridicularizo, pensamentos podres, gestos empobrecedores, cultura inócua, sociedade pueril. Pobre das pessoas como meu amigo que dependem de pessoas bem instruídas para admirar seus trabalhos, caso eu resolvesse ser mais uma a refletir no espelho dessa sociedade.
Não, eu não sou assim e nem conseguiria me moldar nesta sociedade tão vazia. Não deixarei de ser eu para me juntar as mais abomináveis massas. Sou assim, pesada, densa, intensa, visceral, não cedo jamais para a fantasia do “ Tenho que ser amada por todos”. Deus, me acuda de ser amada por todos, quero continuar sendo o que sou e ser amada pelos que de fato me amam.
Não vou engolir pensamentos para não ferir os que pensam diferente. Não serei puritana, tão pouco educada, para ser elogiada pela carcaça que visto, não pelo que de fato sou. Não me relacionarei com quem gosta de mim sem que a recíproca seja verdadeira apenas para fazer feliz a pessoa que me ama fazendo infeliz a pessoa que quero ser.
Quero ter o direito de falar besteira, de beber vinho vagabundo, de fofocar, de não amar as pessoas, de não fazer sexo por fazer, de namorar quando eu bem entender, assim como transar quando eu bem entender sem ser condenada pelo fato de me auto- respeitar.
Quero falar palavrão, apertar a tecla foda-se, ser contra o moralismo, contra a hipocrisia, falar de política, história e filosofia sem que as acreditem fielmente que quero ser mais que alguém por parecer mais inteligente que a maioria.
Quero um amor prá toda vida na hora que eu quiser e não na hora que me quiserem. Quero beijar na boca do máximo de pessoas possíveis, fazer sexo com o mínimo de pessoas possíveis, mas que seja com a qualidade que eu busco, não com a miséria do sexo que querem roubar de mim.
Quero admirar a beleza e ter o direito de ter alguém belo, quero ver obras de arte, quero ver filme alternativo, comer pipoca cara, mas com sabor diferente, assistir show de camarote, freqüentar os melhores lugares, comer nos melhores restaurantes sem que me chamem de elitista por querer o melhor prá mim.
O que eu quero é me cercar das melhores pessoas, dos melhores papos, dos melhores ambientes, dos melhores livros, vinhos, filmes para não me arrepender de ser quem eu sou e como sou, esquivando me do que os coletivistas da alma- bisturis a dilacerar o lado único das pessoas- querem que eu seja.


Michelle Fransan

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pobre Caráter

Se há algo que nunca havia lidado na minha vida, é o mau-caratismo. Sinceramente desconhecia, não havia sido apresentada, ou havia sido poupada, até o momento pela vida, que me apresentou a doçura muito mais fartamente que o fel. Não que o fel seja algo danoso, ao contrário, é tão ou mais importante para o nosso amadurecimento que o mel que degustamos nos jardins das almas que encontramos. Mas quando este fel vem do ranço, da não aceitação da rejeição, do ódio a palavra não, e do prazer pela vingança, este fel se transforma em cumare que asfixia aos poucos o caráter dos mais fracos e despreparados.

Caráter no dicionário, é a palavra que trata dos termos morais de personalidade. O caráter nasce conosco, enquanto a personalidade é construída, moldada, cria alicerces durante a vida. Ambos estão ligados, pois traçam o perfil psicológico desde o nascimento, através do arcabouço da mente que serve de alicerce para o corpo psíquico que nos cobre moldado através dos fatores externos que constroem a personalidade.

Como no individualismo, o caráter é único, cada indivíduo possui o seu, porém ele não pode ser ensinado, instruído, imposto, moldado, é genuíno de cada ser humano, é o sinônimo de índole. Nascemos com o nosso caráter, pois ele está ligado a nossa essência, ao nosso espírito e a evolução dele.

Os antigos acreditavam que todos aqueles que possuíam caráter forte, eram pessoas que mesmo contrariadas pela vida ou por desavenças não se deixavam dominar porque tinham dentro de si a noção moral que servia como breque para não cometerem atrocidades em nome da vingança, por exemplo.

Não sou moralista, detesto o falso moralismo, entretanto não nego a importância dos valores morais que moldam a civilização ocidental tendo nos livrado, por exemplo, do canibalismo, da pedofilia, do incesto vistos hoje com tanto repúdio e tão praticados antes da civilização. Sem contar, que esta moral cria um limite entre liberdade e libertinagem para que possamos- assim- respeitar os indivíduos como únicos responsáveis por suas escolhas, sem romper a sua vontade, ou no mais extremo, atentar contra a vida de outros por arbitrar sobre sua escolha de maneira diferente.

Por isso, o caráter é o termo MORAL da personalidade e é, ou deveria ser a particularidade mais importante do ser humano, pois é o freio que limita a nossa vontade da vontade do próximo, o olhar que reconhece seu limite abrindo margens para liberdade alheia.

Portanto, mau- caratismo é a doença da alma, é a índole distorcida, é a pobreza do espírito, a injúria desnecessária ao controverso, é a desonestidade a quem confia, a difamação daqueles que amam, é a inconsequência da exposição alheia, é o olhar sórdido sobre o próximo, a soberba que inebria Narcisos, o desdém a quem quer comprar, é a inveja entorpecida com a infelicidade, o atirar ao leu as amizades, é se enaltecer da vaidade tudo isso em troca de um prazer vil.

E o mau-caráter?

Digno de pena!


Michelle Fransan


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